Campanha iLixo 2011 – Computação e consciência ambiental

Hoje vou fugir um pouco de artigos mais técnicos, reviews e afins pra falar de problemas da sociedade, pra variar um pouco. E não, não me refiro a usuários nem a mudanças de requisitos. Hoje é dia de dar uma de ecochato e trazer à tona o lixo eletrônico que a gente costuma varrer pra baixo do tapete…

Desculpem pelo texto em blocos, não sei se pelo conteúdo ou pela simples falta de prática (era impossível evitar o “mea culpa” sobre os meses desde o primeiro post) não consegui ainda trabalhar as ideias de uma forma mais dinâmica dessa vez.

Lixo seco, lixo orgânico, lixo… eletrônico?

Dependendo do computador, basta abrir Crysis e nem precisa de carvão.

Enquanto muitos cursos de informática fazem um ótimo trabalho ensinando toda a parte técnica da informática, outros tantos ensinam a parte gerencial, processos (e diversos modelos para a melhoria dos mesmos), testes, análise e afins, a maioria não vai muito além disso, não entra no campo mais humano da informática, dos problemas que a sociedade está enfrentando e vai cada vez mais enfrentar pelo fato de termos cada vez mais e mais dispositivos tecnológicos por aí. Antigamente as famílias tinham móveis e eletrodomésticos que duravam 20 ou mais anos, enquanto a durabilidade média parece ter diminuído, podemos notar muito mais fortemente a obsolescência breve quando se trata de artigos tecnológicos, e isso está gerando um grande problema pra o qual ainda não estamos exatamente preparados para lidar: o excesso de lixo tecnológico.

 

Tá, mas… por que falar nisso agora?

Das universidades do RS, uma das que menos me chamam a atenção é a ULBRA, tanto por ter pouco contato com alunos de lá, quanto por todas as histórias que rondam todas as particulares, que parecem mais acentuadas em torno desta, em especial após os problemas com o antigo Reitor. Isso só veio a aumentar a minha surpresa quando descobri que a Campanha iLixo 2011 surgiu de um trabalho de lá, mais especificamente da disciplina de Tópicos Avançados em Informática, além de certamente fazer meu respeito pela universidade aumentar um pouco. Sinceramente, não sei se foi uma iniciativa dos alunos ou fez parte da proposta da disciplina, mas achei realmente incrível alguém trabalhar essa temática, sempre tão esquecida entre tantos modelos de melhoria e tantas tecnologias que lidamos na faculdade.

Acho que parte da função social de todo profissional de informática é saber não só o benefício que produz através do software, mas também os malefícios do lixo tecnológico e da obsolescência de curto prazo da maioria dos telefones, computadores e outros gadgets que utilizamos diariamente, só que isso é raríssimo. E se alguém pensa que por ser desenvolvedor ou analista isso não o afeta, talvez seja bom pensar de novo, a performance dos softwares é um dos grandes pontos para a aquisição de equipamentos novos, algumas rotinas mal implementadas podem ser a diferença entre um aplicativo ser executado adequadamente em um smartphone com processador de 800Mhz ou ser um incentivo à compra de um smartphone novo (apesar de processadores de 800Mhz terem sido o padrão há 1 ou 2 anos, assim perpetuando os ciclos curtos de release de dispositivos). Em sistemas maiores isso é ainda mais perceptível, diversas vezes me deparei com relatórios que demoravam até 2 dias para serem gerados que, após alguns ajustes, puderam ser gerados em poucos minutos.

Paisagismo e reciclagem andam juntos

Precisa cuidar pra mãe não regar o pc errado depois...

Então tenham sempre em mente:

  • Rotinas mal implementadas agridem a natureza e matam ursos polares.
  • Reaproveitamento (aquele netbook velho consome pouca energia, quem sabe deixar ele ao invés do pc com 2 placas de vídeo pra baixar torrents?) ou descarte correto sempre que possível.
  • Pense antes de comprar o iTelefone 7S, ou um próximo smartphone com Android  5.32 se você realmente precisa e tem um uso para ele, se a iteração realmente acrescenta algo além de um número ou letra. Não esqueça que Angry Birds já roda bem nos aparelhos que temos atualmente.
  • Não seja alvo de empresas que pregam a obsolescência programada.
  • Aquele e-mail com powerpoint que você manda para os 730 contatos do outlook/gmail/hotmail/bol consome banda e disco em algum lugar, se puder, evite. Senão, hospede online e envie apenas o link.
Interessou e quer saber mais?
Se não cansaram ainda do papo ecochato, aproveitem pra ver (se ainda não viram) o vídeo “A História das Coisas“, são 20 minutos que alteram e acrescentam profundidade à percepção dos ciclos de produção que temos no mundo. Pra quem, assim como eu, nunca estudou isso a fundo, o vídeo é um excelente ponto introdutório pra essas questões.
Unindo o útil ao agradável

French Press? Que frescura...

Por fim, cabe lembrar que eu falei que não conheço outras iniciativas parecidas sendo iniciadas em faculdades de informática. Alguém aí conhece ou tem outras informações pra adicionar? Aproveitem o espaço e o contexto pra divulgar e debater!
Abraços e até a próxima!
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